Nāo é só um problema, claro!

Sāo alguns e têm de ser separados.

Por um lado, temos o lado dos jogadores, muitos deles bastante cobiçados.

Temos de nos colocar, também, no lugar dos atletas.

Os jogadores encontraram em Ruben Amorim mais do que alguém capaz de potenciar o seu talento, mas um verdadeiro comandante de um grupo.

Alguém que os fazia ser mais do que a soma das partes, que preencheu nāo só o que se espera de um grande Treinador, mas muito mais do que isso.

Alguém que os fazia acreditar que os nomes deles seriam lembrados para sempre, na história recente do Futebol e do Sporting CP.

E isto é um feito que poucos conseguem, na história do Sporting CP muito menos.

Eu diria mais, esta capacidade de ser tāo impactante num grupo é realmente única.

Até porque todos os jogadores sāo egoístas por natureza, fazem uma availaçāo muitas vezes exagerada das suas capacidades (pela positiva, claro), acham-se no direito a jogar todos os minutos, a serem decisivos e determinantes na equipa. 

E é normal, até certa medida, que as coisas sejam assim.

Mais uma vez, temos de nos colocar no lugar dos atletas.

É realmente muito difícil ser profissional de Futebol.

As estatísticas indicam que (muito) menos de 1% dos atletas que praticam Futebol conseguem tornar-se profissionais da modalidade (!)

E, na verdade, muitos destes atletas nāo duvidaram em seguir este trajeto no Sporting CP (ou, pelo menos, nāo se demonstraram publicamente com vontade de sair) muito por causa de Ruben Amorim e pelo seu repto “Duvidaram que vamos ser bi-campeōes… Vamos ver!”

Como se sentem esses jogadores agora?
Por muito que entendam a oportunidade que surgiu a Ruben, será que ninguém teve uma igual ou semelhante?

É difícil.

Depois, o lado de Joāo Pereira e a importância do contexto na carreira do Treinador de Futebol.

É algo que já falei anteriormente e que vem reforçar esta minha crença sobre a importância de uma melhor definiçāo de carreira.

Algo em que Ruben, por exemplo, tem sido sempre exemplar e José Mourinho tem sido desastroso.

O Treinador tem de ter um cuidado muito grande onde e, principalmente, quando vai entrar em determinado Clube.

Entenda-se: Ruben entra em Manchester com carta-branca para fazer o que quer. 

Tem, acredito, total poder nas decisōes sobre o futuro do plantel. 

Nāo me parecem existir grandes dúvidas sobre isto.

Mas acima de tudo, fruto do mau trabalho feito anteriormente, onde já há um desgaste enorme e deteriorizaçāo na relaçāo dos adeptos com o Treinador e, inclusive, com o Clube.

Tem, portanto, uma margem e tempo consideráveis para poder fazer o seu trabalho sem grandes interferências ou revoltas de fora para dentro do Clube.

Todos percebem o momento, de forma mais ou menos clara ou concordando mais ou menos com as decisōes tomadas, mas todos percebem que o Manchester United nāo lutar por títulos de forma consistente há muitos anos é preocupante.

Por outro lado, Joāo Pereira, entra num contexto totalmente diferente, sendo líder do campeonato e (quase) da Liga dos Campeōes, vindo de vitórias muito importantes e com remontadas inacreditáveis nos últimos minutos!

Teoricamente, o melhor cenário de todos!

Mas, nāo.

Entra num local onde o benchmark vai ser sempre o melhor Sporting CP que temos memória.

E isso é, realmente, uma herança pesada.

Para qualquer um.

Podemos falar sobre a forma como a transiçāo foi feita, aquelas semanas em que já se sabia que Amorim saía (e a equipa deu logo sinais de abanar com as informaçōes vindas de fora, mesmo ganhando depois ao Manchester City e em Braga), mas que se mantinha mais umas semanas.

Ou se algum de nós, tendo a oportunidade, nāo aceitaria treinar o Sporting.

Será?

Claro que nāo!

Mas que foi preciso cair (e bem) para se perceber que há que reconstruir e recomeçar (quase tudo), isso é inegável.

Hoje, inclusive, questionamos se é correcta a postura do Presidente Frederico Varandas.

O mesmo que antes se regozijava pela “descoberta” dos talentos de Hugo Viana e de Ruben Amorim quando virtualmente ninguém confiava neles e de ter tudo planeado “desde há bastante tempo” para as substituiçōes de cada um deles de forma inequívoca, a manter a sua postura de fé inabalável nas suas escolhas e decisōes, quando todos duvidamos.

Na verdade, ele nāo diz nada de errado.

Todos questionaram a aquisiçāo de Ruben Amorim, pelos valores que foram.

Mas, mais uma vez, o momento da sua entrada nāo era (em nada) semelhante à da entrada de Joāo Pereira.

O tempo dirá quem tem razāo.

Mas o início foi, realmente, mau.

Em resultados e em jogo produzido.

E isso é, para além de preocupante, estranho.

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