4 Jogos com níveis de intensidade altos, bem jogados, competitivos e decididos em pormenores. Isto é fácil de dizer, ou nāo tivessem 2 deles necessitado das grandes penalidades para se encontrar um vencedor, outro decidido no último minuto do prolongamento (aos 119’) e outro uma reviravolta no resultado!
Nesse ponto, foi muito interessante!
Algumas notas soltas sobre estes Jogos.
Para começar, houve algumas surpresas no rendimento de algumas equipas.
Nomeadamente, Portugal, Inglaterra e Turquia, que tiveram um rendimento superior ao que vinham demonstrando nos jogos anteriores.
No primeiro jogo desta eliminatória, era expectável um jogo equilibrado, a pender um pouco mais para a Espanha, mas esperava-se um jogo aberto e com oportunidades para golo, apesar de ser um jogo complexo do ponto de vista tático.
Na Alemanha, Nagelsmann voltou à dupla Tah-Rüdiger e surpreendeu ao colocar Ahmet Cän em detrimento de Andrich, algo que repôs ao intervalo, tal como Wirtz por Sané.
Aliás, julgo que o futuro desta Seleçāo terá que passar pela estabilizaçāo do corredor central, que agora deixará de contar também com Toni Kroos, que abandona assim os relvados. Na frente, Wirtz e Musiala podem ainda nāo ter a capacidade de fazer uma diferença brutal nos grandes jogos (tal como Yamal e Williams nāo tiveram do lado espanhol), mas com tempo e experiência essa capacidade virá.
A Espanha, por seu lado, viu-se obrigada a alterar muitas peças durante o jogo, Pedri por lesāo e as outras por eventual incapacidade. Demonstrou, tal como era esperado, mais dificuldades no processo defensivo, nomeadamente nas transições defensivas.
Estou curioso para ver a meia-final e ver como, De La Fuente, irá encarar uma equipa que fará da transiçāo ofensiva o seu modus operandi e objetivo único no jogo, mas com dos melhores atletas do Mundo para isso, como a França.
O jogo entre França e Portugal foi um pouco melhor do que esperava, sinceramente.
Nāo no princípio, mas na forma.
Portugal foi realmente superior a um conjunto francês que se deixou subjugar, reconhecendo a superioridade coletiva portuguesa. A espaços, a França foi capaz de colocar as qualidades individuais da sua equipa, principalmente nos momentos após a entrada de Dembelé, onde criou 2/3 situações de perigo.
A França foi, assim, igual a si própria. Flexível no que o jogo pede e com qualidade para responder ao estímulo.
Mas espera-se, sempre, mais.
Portugal, por seu lado, teve uma exibiçāo personalizada, subjugando, uma grande parte do tempo, a França ao seu meio-campo e a posicionamentos defensivos. Foi um jogo algo ingrato para os portugueses, que dispuseram de diversas oportunidades para fazer o golo, acabando por prolongar o jogo para os penalties, que sorriram aos franceses.
A Inglaterra teve, igualmente, uma prestaçāo ligeiramente superior ao que tinha vindo a apresentar anteriormente.
Longe de ser brilhante, se bem que julgo que também nāo ser esse o objectivo, teve a sorte de fazer um golo (muito) consentido e dos penalties sorrirem, desta vez, para si.
Neste jogo, a Suíça conseguiu quase sempre superiorizar-se no Jogo e nos espaços, mas as alterações pareceram-me algo conservadoras e retiraram sempre a profundidade ao conjunto suíço, nomeadamente numa fase onde a Inglaterra era obrigada a ir procurar o golo e, assim, deixar mais espaços a explorar. A Suíça ficou, assim, refém dos apoios frontais de Embolo ou aos rasgos de Ndoye, que com o passar do tempo foram perdendo fôlego e qualidade, e as constantes más tomadas de decisāo de Zuber desde a sua entrada, tornaram a seleçāo menos capaz de criar perigo.
Tenho pena destas serem as únicas seleções em que falhei nas minhas previsões de vencedores destas eliminatórias.
Foram os penalties.
Mas talvez nāo tenha sido apenas isso.
Será que a qualidade individual dos atletas, acima de estilos, propostas ou formas de Jogar será sempre mais importante e decisiva?
Finalmente, no último jogo desta fase, os Países Baixos acabaram por conseguir impôr-se perante uma muito disponível e voluntariosa Turquia. Apesar de ter mais capacidade coletiva e individualidades de maior qualidade do que a Turquia, a seleçāo neerlandesa demonstrou o que falei aqui anteriormente – fragilidades nos momentos de transiçāo defensiva e defensivos.
A Turquia fez o que pôde neste Europeu, à boleia de Güler e Yilmaz em grande nível, e deu armas à Inglaterra de como fazer mossa aos Países Baixos.
Veremos o que nos reservam as Meias-Finais, mas pelo observado diria que pode haver uma final surpreendente:
- Espanha vs Países Baixos.
Se, por um lado, reconheço à Espanha uma capacidade de criar e finalizar, como mais nenhuma seleçāo conseguiu fazer neste Europeu, mesmo contra uma perigosíssima França, o mesmo se aplica (em sentido inverso à Inglaterra) – pouca capacidade de planear, imaginar, quanto mais de criar.
Valham os momentos de inspiraçāo individual e os penalties, a franceses e ingleses.
Quiçá seja suficiente?
Porque nāo?
Até agora foi!
Veremos!
Noutro dia, noutro texto, irei abordar o trajeto da Seleçāo de Portugal, onde irei aprofundar os meus pensamentos sobre os jogadores nacionais, mas nāo queria terminar sem uma palavra para Toni Kroos, Pepe e Cristiano Ronaldo, que fizeram os seus últimos jogos no Europeu e, potencialmente, nos seus países ou carreiras.
Jogadores únicos, competitivos, e, acima de tudo, vencedores.
Obrigado por tanto!

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