O Mercado de Treinadores em Portugal
Olhando para a Época 2025/26, os dados mostram algo curioso – apenas 6 Clubes (33%) alteraram o Treinador durante a Época.
Entre eles:
- SL Benfica — Bruno Lage substituído por José Mourinho
- Estrela da Amadora — José Faria substituído por João Nuno
- Santa Clara — Petit substituiu Vasco Matos
- CD Tondela — Cristiano Bacci substituiu Ivo Vieira
- Casa Pia e AFS são os únicos clubes com mais de duas mudanças esta época — 3 e 4 Treinadores, respetivamente.
Por outro lado, 12 Clubes (66%) mantiveram o Treinador desde o início da Época.
À primeira vista, um sinal positivo.
Talvez.
Mas quando analisamos mais profundamente o histórico individual dos Treinadores atualmente em funções na Liga Portugal, surge outro dado interessante:
Tiago Margarido é o único Treinador com mais de 2 anos de permanência média nas suas equipas.
Ou seja, mesmo quando os Clubes mantêm os Treinadores durante uma época… o Mercado em si continua extremamente volátil.
Portanto, talvez a questão não seja apenas:
Quantos Treinadores passaram por determinado Clube ?
Mas sim, o Verdadeiro Tema seja:
Que Estrutura permite a um Clube sobreviver a cada mudança… sem recomeçar do zero?
Porque no Futebol, mudar de Treinador pode ser inevitável.
Diria, até, que é inevitável – eventualmente, o Treinador vai sair, tal como o Presidente, o Diretor Desportivo, ou de Futebol.
Os Resultados mudam.
Contextos mudam.
Expectativas mudam.
Mas quando a mudança se torna Constante, a questão deixa de ser apenas Desportiva.
Passa a ser Institucional.
Estrutura vs Dependência
Temos falado constantemente sobre isto – mas este é o Verdadeiro Tema.
Quando um Treinador sai e tudo muda, na grande maioria dos Clubes.
Com eles mudam:
- Modelo de Jogo
- Perfis de Recrutamento
- Planeamento de Plantel
- Hierarquias internas
…então o problema não era apenas o Treinador.
Era a Dependência de uma única Figura!
Instituições sustentáveis não dependem, ou podem depender, de Indivíduos.
Dependem de Estrutura.
Uma Estrutura forte que define:
- Identidade de Jogo
- Perfis de Jogadores
- Modelo de Recrutamento
- Integração da Formação
- Processos de Decisão
O Treinador adapta-se a essa Estrutura, e vice-versa.
Não se reinventam de cada vez.
A Pressão do Resultado
Claro que o Futebol vive de Resultados.
Sempre viveu, sempre vai viver.
Mas existe uma diferença importante entre: Responder a um ciclo competitivo, ou viver permanentemente em reação ao último resultado.
Quando a Gestão passa a ser feita em Modo de Urgência permanente, desaparece aquilo que sustenta qualquer Organização:
Planeamento.
E sem Planeamento, cada Decisão passa a ser isolada.
Nāo há Processo de Tomada de Decisāo.
O Papel da Estrutura Desportiva
Aqui entra um elemento muitas vezes ignorado no debate público – a Estrutura Desportiva.
Presidente.
Diretor-Geral, e respetivos Executivos do Clube.
Diretores Desportivos, ou Diretores de Futebol.
Departamentos de Recrutamento.
Planeamento Estratégico.
Quando esta Estrutura está bem definida, e alinhada com a Visāo, Valore e Objetivos do Clube, a saída de um Treinador não significa o colapso do Projeto, mas apenas uma Transição dentro de um Modelo previamente pensado.
O Paradoxo do Futebol Português
Curiosamente, Portugal é um dos países que melhor se adapta a contextos difíceis.
Com menos Recursos do que as grandes Ligas Europeias, os Clubes Portugueses desenvolveram uma enorme capacidade de:
- Descobrir Talento
- Desenvolver Jogadores, Treinadores e Dirigentes
- Competir Internacionalmente
Talvez porque a necessidade obriga a pensar melhor.
Talvez porque a Estrutura, muitas vezes, compensa a falta de meios.
Ou talvez porque o Futebol continua a ser, acima de tudo, uma Escola de Resiliência.
Sim, reconheço: posso estar enviesado.
Nāo sou parcial quando o tema é o Talento Português.
Mas continuo a acreditar que há aqui algo distintivo.
A Pergunta Final
No fim, talvez a pergunta mais relevante não seja:
Quantos Treinadores passaram por um Clube.
Mas sim:
Se amanhã o Treinador sair, o Clube continua a saber quem é?
Porque no Futebol:
Treinadores passam.
Jogadores passam.
Resultados passam.
Todos passam.
Mas Instituições ficam.
E Instituições fortes não vivem de Ciclos curtos.
Vivem de Estrutura, Identidade e Continuidade.

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