O início de Roberto Martinez foi estonteante.

Uma qualificaçāo para o Europeu de 2024 perto da perfeiçāo.

Mas, depois, um Europeu, no mínimo, fraco e inconstante.

Escrevi, no final da participaçāo nesse mesmo Euro o seguinte:
“Em relaçāo a Roberto Martinez: terminou a lua-de-mel!

Ainda bem!

Porque, ao despir-se, despiu a equipa.

Nāo percebi a preparaçāo, a narrativa, nada.

Os minutos que tinham que jogar na preparaçāo, as justificações constantes e a contradizer o que afirmava anteriormente.

As substituições, os timings.

Enfim, um desastre.

Mas vai seguir.

Porque, infelizmente, parece que se adequa ao que se pretende daquele papel.

Nāo um treinador de top, mas um político, alguém que vai levando o barco da maneira que é precisa.

Portanto, fazendo sentido ou nāo, do futuro da seleçāo pode esperar-se, como sempre afirmei, muitas alegrias.

Nāo por Martinez, ou outro qualquer treinador no futuro.

Mas sim porque, temos realmente uma formaçāo de atletas diferenciada.

Temos muitos e muito bons jogadores.

Uma quantidade de qualidade vasta e que permite que o treinador, provavelmente, seja o menos relevante no meio disto tudo.

Custa, mas é verdade.

A menos que Mourinho entre.

Aí sim, podemos conquistar algo maior.”

É verdade, na altura e agora.

Nāo retiro uma vírgula.

Aliás, a mesma inconstância mantém-se agora.

Como podemos entender (salvo se existiram comportamentos completamente alheios aos que se podem aceitar no Futebol Profissional) que Pedro Neto e Renato Veiga vāo de titulares para a bancada e que Francisco Conceiçāo faça o caminho inverso?

Fará isto sentido em algum lugar do Mundo?
Ou, independentemente do nível de Futebol?

É, para mim, muito difícil de entender.

Independentemente de gostos, feitios, qualidades ou defeitos reconhecidos aos atletas em questāo.

Nāo se trata disso.

Trata-se do Grupo, de saber gerir.

O que entenderāo Quenda, Félix ou Trincāo que sāo convocados para ambos os jogos, teoricamente mais perto de jogar do que Gonçalo Ramos ou Francisco Conceiçāo, mas só o último é que tem hipótese de jogar (e, por ironia do destino, até mais do que os 8 minutos que parecia destinado a ter quando entrou) e sāo ultrapassados por estes últimos?


Ou Renato Veiga e Pedro Neto (um jogador que já se percebeu ter um lugar especial no entendimento do Jogo de Martinez), que saem da equipa diretamente para a bancada?
Entāo e António Silva, que nem jogou nem transitou?

Ou, ainda, a dupla inventada por Martinez e copiada por Luis Enrique – Joāo Neves e Vitinha – que serviu para o jogo fora, mas que perdeu espaço para o jogo em Alvalade, sendo que Vitinha nāo acabou o jogo (mesmo sendo, de longe, o Médio com melhores dados de Pass Accuracy, Passe Longo ou Duelos Ganhos e, teoricamente, capaz de aguentar as exigências físicas de um jogo que ia para os 120 minutos), e Joāo Neves, nem entrou.

Mais, Joāo Neves, outrora “o atleta que mais impressionou, pelo respeito imediato que ganhou” Roberto Martinez, pela forma como entrou na Seleçāo Nacional, foi, num total de 18 Jogos, titular em 6 deles, entrando em outros 5 vindo do banco e nāo sendo opçāo nos restantes 7 jogos.

De longe, um atleta muito importante para Martinez…

Talvez, na visāo do Selecionador, os culpados da derrota sejam Neves, Veiga e Neto.

Será?

É uma Gestāo realmente confusa.

Voltei a revistar alguns textos que escrevi e é impressionante como nada mudou.

Perdemos frente a uma Dinamarca que tem nos seus melhores Jogadores, atletas que nem jogam nas suas equipas de forma regular, consistente e com performance, como Eriksen ou Højlund.

Mas, segundo Martinez, “precisamos de jogos assim”.

Daqueles onde “nāo jogamos nada”.

Eu nāo preciso.

Nem quero.

Apesar de entender que acontecem, nāo podem acontecer no vazio.

Mas esta Selecāo de Martinez é, infelizmente, isso mesmo – um vazio de conteúdo.

E eu, consciente do tempo, trabalho e dedicaçāo de tantas pessoas – familiares, treinadores e dirigentes – que levaram a chegarmos a este patamar de excelência de jogadores que temos disponíveis, observo pasmado a esta realidade.

A realidade de que o início do fim chegou.

Quando antes mesmo do início do primeiro Jogo de Qualificaçāo para as Meias-Finais de uma Competiçāo que vai ganhando relevância e cujo título é um claro objetivo, se fala de José Mourinho.

Do nada.

Ou, aparentemente, do nada.

E, depois de uma derrota cheia dos mesmos problemas identificados muito tempo antes, se fala em “tensāo”, “pressāo”, ausência de reuniōes com o novo Presidente da FPF ou, mesmo, se puxa os galōes para dizer que nāo se sente nada disso porque já se “treina desde 2007”.

O início do fim.

Espero, apenas, que nāo se perca a maior geraçāo de talentos pelo caminho de tantas indefiniçōes, politiquices e vazio de conteúdo.

Porque, entretanto, Portugal vai ganhando.

Fruto da qualidade inacreditável dos tantos e tantos talentos que temos ao dispor.

Como sempre defendi, um Treinador banal pode tornar-se incrível quando escudado por atletas de eleiçāo.

Tal como um treinador fantástico pode ser considerado banal quando rodeado de jogadores banais.

Veremos o que tempo nos traz, na certeza que observamos o que disse antes – o início do fim.

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