Mais uma vez, nāo acertei a 100% em quem passava esta eliminatória!
O que me ensinou, entāo, este Europeu?
Bom, já como resumo desta Competiçāo, posso assumir que existiram alguns pontos que acabam por despertar a minha curiosidade.
O poder da Cultura é, para mim, a primeira e maior liçāo deste Europeu.
Desde logo, o facto de ser quase impossível que as grandes equipas nāo se qualifiquem para a fase a eliminar é um ponto a favor da audiência. Ou seja, inteligentemente, a UEFA alimenta o desejo dos adeptos, das televisões e das Federações.
E da própria UEFA.
Mais jogos, mais bilhética, mais transmissões, mais patrocínios, mais dinheiro, mais emoçāo, mais golos, etc.
Todos ganham!
Ganham, inclusive, aqueles que (como Portugal em 2016 e, agora em 2024, a Inglaterra) têm prestações medíocres, mas vāo conseguindo ir ultrapassando todas as fases, mesmo que nāo justificando muito isso.
Na Fase de Grupos, os jogos foram diferentes e as prestações de algumas equipas foram, também, influenciadas por ser uma fase em que todos entendiam que mesmo ficando no 3o lugar (de 4) poderia servir para avançar na Competiçāo.
Resultado: muitas equipas apresentaram um Estilo de Jogo mais retraído frente às seleções favoritas (França, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Portugal…).
Este pormenor fez com que, aquelas seleções mais fortes, mas com mais dificuldades em unir a Cultura, a consistência, a uniāo, o treino, a preparaçāo ao Modelo de Jogo, apresentassem mais dificuldades frente a equipas organizadas em blocos defensivos médios/baixos. Foram diversos os exemplos das seleções acima mencionadas com estas dificuldades, sendo que a Espanha e a Alemanha (surpreendentemente, diga-se) foram aquelas que foram conseguindo eliminar essas barreiras que a limitaçāo do tempo de treino – e algumas invenções – sempre traz.
Mas a Cultura pode, sem dúvida, ter um impacto significativo.
O poder da Cultura é, para mim, a primeira e maior liçāo deste Europeu.
Em segundo lugar, ficou demonstrado que o Futebol apresentado por todas as equipas é cada vez mais organizado, mais difícil de ultrapassar, mais estratégico, mais capaz.
Quiçá menos espetacular, também.
Mas, hoje, defrontar qualquer equipa das 24 presentes nāo é fácil para nenhuma equipa.
Os jogos mais espetaculares da Fase de Grupos foram, eventualmente, os jogos entre as equipas mais pequenas, ou menos favoritas.
Foram, igualmente, já na Fase a Eliminar, que as equipas favoritas se liberaram e tiveram melhores prestações, frente a equipas que disputavam o jogo pelo jogo, como Portugal frente a França, ou a Inglaterra frente aos Países Baixos.
Destacam-se, ainda, alguns jogadores jovens a título individual, como Lamine Yamal, Nico Williams, Musiala, Wirtz, Vitinha, Mainoo, Arda Güler, entre outros.
Mas, para mim, sāo Laporte, Pepe, Rodri, Kroos, Gündogan, entre outros, que me continuam a surpreender pelo controlo e gestāo do Jogo.
Bravo!
Lamine Yamal é uma figura incontornável deste Europeu e da Época que terminou recentemente. Entra nesta Competiçāo com 16 anos, foi a figura das Meias-Finais frente à França e uma dor de cabeça constante em todas as partidas, mesmo quando nāo fez golos ou assistências.
Tem um potencial tremendo, a nível mundial.
É daquele tipo que queremos arriscar em dizer que tem o potencial de ser realmente diferente.
Mas demos tempo ao tempo.
A partir de agora, comparar qualquer atleta a Messi e a Cristiano Ronaldo – com todo o respeito que todos os grandes jogadores anteriores a estes merecem – tem de ser feito com cautela e respeito.
Estar 15 anos no Top, partilhar o palco dos melhores do Mundo por mais de 10 anos foi único e nāo é fácil de igualar em números, títulos, etc.
O benchmark deixado por estes senhores é realmente muito pesado.
Por outro lado, esperava-se (muito) mais de Bellingham, Foden e Mbappé. Sendo certo que atingem a Final e as Meias-Finais, respectivamente, também é verdade que foram tudo menos brilhantes nesta competiçāo.
E de Ronaldo também.
Falando de Ronaldo, e de Portugal, este Europeu ensinou-me (uma vez mais) que a gestāo de carreira deve ser realmente feita de forma muito consciente e os jogadores (e até os Treinadores) se devem preparar para todos os momentos, inclusive para o final das carreiras, mantendo a coerência do que o seu nível requere.
Uma lenda nāo pode ser arrastada para a lama.
Nāo se faz!
Mas a responsabilidade é, também, de cada um de nós de se preparar para isso.
Por fim, estas Meias-Finais ensinam que o Futebol continua a ser a maior potência desportiva do Mundo porque tem EMOÇĀO.
A Inglaterra nāo foi, ao longo de toda a Competiçāo, melhor que os Países Baixos, tal como a França nāo foi melhor que Portugal.
Mas num jogo tudo se pode alterar, um golo muda tudo e um dia menos bom coloca a melhor equipa em casa num instante.
Este enorme poder da emoçāo constante, do inesperado acontecer, de instalar a esperança que as coisas saiam melhor e do irracional se sobrepor ao racional.
E esse é o super-poder do Futebol!
Para a Final, sem surpresas para quem tem acompanhado as minhas previsões e justificações, espero a Espanha como a vencedora natural e merecedora deste Europeu.
Venha a Final!
E, já agora, obrigado a todos os que me acompanharam nesta Jornada.
Muito obrigado, mesmo!

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