Que emoções!
Ontem foi um dia longo e cheio de emoções!
A França conquistou a vitória, pouco convincente, frente a uma Bélgica que realmente nunca se encontrou neste Europeu. Um pouco à semelhança do que muitas vezes aconteceu nas últimas provas internacionais.
Como tenho vindo a dizer, esta é uma França muito híbrida, diria até muito confusa na forma de abordar os jogos e dada a pouco brilhantismo. Para os franceses, nāo interessa o “como”, mas apenas ir seguindo em frente.
O resultado final.
Quem viu os sorrisos (merecidos?) de Deschamps no final do jogo diria que a França tinha jogado muito bem, massacrado a Bélgica e que o golo foi, apenas, o confirmar desse poderio.
Só que nāo.
A França mantém-se pouco convincente, com exibições às cambalhotas e sem demonstrar o poderio dos jogadores que tem.
E tem, provavelmente, o melhor plantel presente nesta prova.
E Mbappe?
Portugal, por seu lado, foi igual a si próprio nesta Competiçāo.
Diria, igual ao seu Treinador.
Inconstante, camaleónico, com pouca clareza nas decisões.
Valeu, Diogo Costa, e muito bem!
Sim, o relvado nāo estava bom, é um facto.
Mas isso nāo pode, nem deve, explicar tudo.
A primeira parte até apresentou um Portugal com algumas oportunidades, boas iniciativas de ambos os lados dos corredores, com as dinâmicas entre Cancelo e Bernardo ou Nuno Mendes e Leāo, ora por dentro ou por fora a darem muitas soluções e variabilidade interessantes. A juntar a isso, quando ficava mais complicado sair pelas laterais, muitas vezes, Bruno e Ronaldo (mais) e Vitinha (menos) ajudavam nessas dinâmicas nos corredores laterais.
Muito menos jogo interior, sem dúvida.
Muita circulaçāo em “U” e pouca penetraçāo central.
E isso é uma característica que nos torna mais previsíveis, para o futuro.
Os problemas vêm depois.
Muitas substituições têm feito sentido até agora.
Mas, nesta fase, entre o orgulho, o estatuto e a performance, as substituições fazem pouco sentido.
Aliás, levantei essas dúvidas na escolha do 11 frente à Chéquia e depois frente à Georgia, nos Jogos de Preparaçāo, enfim.
De Roberto Martinez, já percebemos algumas coisas, pelo menos: comunicaçāo pobre e indecisões constantes. Ou diria decisões inconstantes.
Nāo sei!
Nāo percebo.
Dou aqui alguns exemplos de coisas que nāo percebo:
- Se Nuno Mendes é um potente físico, com capacidade ofensiva muito boa, como colocar Nuno como Defesa Central? Mesmo que numa linha de 3.
- Se Francisco Conceiçāo tem como maior arma os momentos de drible e 1v1, nomeadamente no corredor direito, que lhe permite encontrar espaços interiores, porquê colocar no lado esquerdo?
- E depois, após tanto tempo de perda de capacidade ofensiva, ter que fazer alterações em toda a linha, colocando Jota na esquerda, Bernardo perto de Ronaldo e Conceiçāo (finalmente) na direita? Era assim tāo difícil perceber as consequências desta decisāo?
- Mais, porquê retirar Vitinha, eventualmente o melhor em campo de Portugal até entāo? Menos estatuto que os outros?
- Por outro lado, recordo (os mais esquecidos) que temos no banco opções que jogam no Barcelona, Manchester City, Paris Saint-Germain, Benfica, Sporting, entre outros das melhores Ligas Europeias. Será que nāo podem acrescentar? Ou é agora que estamos preocupados com as relações e rotinas entre jogadores? Ou voltamos à narrativa de que era importante Pepe (por pouco nāo fez), Bernardo, Bruno e Ronaldo fazerem 120 minutos?
- Falando de sistemas e dinâmicas, nāo faria mais sentido, contra equipas que jogam com 2 avançados, garantir vantagem numérica e jogar com 3 Centrais? Ou a soluçāo de colocar Palhinha entre os centrais, que até pode fazer sentido, é colmatada nas 2as bolas? Aquelas que tanto alarido causaram nas (poucas) situações ofensivas da Eslovénia?
- Mais, tendo em conta que se joga com Nuno Mendes e Cancelo, que tanto gostam de avançar pelo terreno seja para atacar ou até nos momentos de pressāo, inclusive quando o jogo nāo o pede, nem aconselha, nāo faria mais sentido garantir mais 1 elemento na proteçāo da linha defensiva? Principalmente, tendo em conta que dos 2 elementos, Pepe (por incrível e importantíssimo que seja, atençāo) já nāo tem essa capacidade de tirar metros aos avançados opostos?
Enfim, sāo (sempre) muitas as dúvidas sobre o que é trabalhado e a forma como é trabalhado.
Reconheço, no entanto, que a reaçāo à perda da posse de bola, o momento de Transiçāo Defensivo, tem sido muito bem feito!
E este é dos momentos que mais dúvidas me geravam.
Bem feito, aqui!
De qualquer forma, Portugal tem as suas possibilidades frente a uma França igualmente inconsistente.
Espero, no entanto, um jogo aborrecido.
Infelizmente.
E que Mbappe se mantenha adormecido na sua nova máscara!
Relativamente aos Jogos de hoje, muito curioso em acompanhar e ver o que podem trazer a esta Competiçāo os Países Baixos e a Áustria.
As minhas apostas vāo, naturalmente para:
- Roménia vs Países Baixos
Vencedor: Países Baixos.
- Áustria vs Turquia
Vencedor: Áustria.
Venham os Jogos!

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