Uma desilusāo.

É assim que posso colocar a exibiçāo da equipa portuguesa, naturalmente afectada por uma exibiçāo menos inspirada de alguns elementos, nomeadamente de António Silva.

Mas atençāo, nāo foi, nem é, “só” António Silva.

Uma desilusāo a todos os níveis, algumas delas transversais e que venho a levantar desde o primeiro jogo, onde falo das minhas dúvidas levantadas nos Jogos de Preparaçāo (https://tactictalks.org/2024/06/19/euroshorts-portugal-vs-chequia-o-talento-e-a-arte-de-inventar/).

Acima de tudo, o Jogo frente à Georgia retirou a capacidade de reclamar mais oportunidades a todos os que nāo têm jogado mais regularmente.

Mas, vamos por partes.

Sistema Tático: parece-me claro que existe uma dúvida grande sobre a melhor abordagem para esta Seleçāo. Jogar com Defesa de 4 ou 3 (que no final sāo 5), existe uma dúvida constante sobre o que fazer e depende, para mim, claramente do adversário e de quem joga. Por exemplo, uma linha de 4 (Rúben e Pepe, naturalmente) será suficiente frente a França, Alemanha ou Espanha? Se a decisāo for 5, quem entra? Danilo e António Silva terāo capacidade de serem titulares? Mais, colocar Gonçalo Inácio seria uma escolha mais “lógica” pela característica única que tem (pé esquerdo), mas tendo em conta as últimas exibições, existem grandes dúvidas, nomeadamente pela sua incapacidade nos duelos defensivos onde demonstra (grandes) fragilidades após contacto físico. Aliás, julgo que será uma razāo para que a sua utilizaçāo numa linha de 4 seja de difícil realizaçāo.

De seguida, quem joga nas laterais? Têm sido várias as experiências, mas, a fundo, quem tem demonstrado performance? Dalot (que agora, aparentemente, também joga como Defesa-Central)? Nélson Semedo? Joāo Cancelo? Francisco Conceiçāo? Nuno Mendes? Rafael Leāo? Pedro Neto?
Sāo muitas as opções e as experiências.

Mas as dúvidas mantêm-se, sempre!

No meio-campo: com 2 ou a 3? Parece-me claro que as opções irāo recair sempre em Vitinha, Bruno Fernandes e… Palhinha, se optarmos por 3! Pelo observado, a performance num sistema de 3 foi muito mais feliz, frente à Turquia, mas o impacto que uma defesa a 3 pode causar no meio-campo, e vice-versa, será determinante. Ou seja, frente a equipas de poderio superior e as quais esperamos defrontar mais à frente na Competiçāo, a opçāo de 2 Centrais parece-me muito arriscada, mas ao colocar 3 Centrais, a única possibilidade de colocar 3 médios, seria impor apenas 2 Avançados (GR+3+5+2). 

Isto seria uma grande novidade!
Mas, atençāo, nāo me parece que seja improvável para o nosso selecionador!

De resto, Joāo Neves, Rúben Neves, Matheus Nunes e, inclusive, Danilo, surgem numa carruagem bastante atrás dos acima mencionados.

Na linha da frente: Cristiano Ronaldo e Bernardo sāo os únicos que me parecem intocáveis. E bem! Mesmo sem marcar, Ronaldo tem tido um papel fundamental, para mim. Aliás, quando foi substituído frente à Geórgia, fui o único a sentir que tínhamos perdido possibilidades de marcar golos? Cristiano acrescenta experiência, capacidade de finalizaçāo, movimentaçāo e eleva (bastante) o respeito dos adversários, aumentando o espaço a explorar por outros atletas. Bernardo vem de uma exibiçāo muito completa frente à Turquia, tem um papel fundamental na nossa Seleçāo e controla, como ninguém no nosso 11, os tempos do Jogo, a velocidade e perda da posse de bola.

De resto, Leāo tem sido muito intermitente, apesar de ter capacidades técnicas e físicas muito grandes e uma aura que coloca as defesas contrárias sempre em sentido. Joāo Félix nāo tendo feito uma má exibiçāo a título individual, principalmente na 1a parte, é um grande ponto de interrogaçāo a todos os níveis. É um atleta que, a entrar vindo do banco, poderá acrescentar em alguns jogos, mas que nāo me parece das opções mais válidas que tenhamos para agitar um Jogo, tal como frente à Chéquia. Uma pena, sinceramente. Pedro Neto, tal como Jota, têm entrado bem, apesar de lhes reconhecer algumas limitações nas movimentações e capacidades. Francisco Conceiçāo e Gonçalo Ramos estāo, tal como no meio-campo, umas carruagens atrás dos outros.

Acima de tudo, o Jogo frente à Georgia retirou a capacidade de reclamar mais oportunidades a todos os que nāo têm jogado mais regularmente.

Mais, colocou, novamente, em causa as opções do Treinador Roberto Martinez.

Para mim, Roberto Martinez tem pecado na comunicaçāo, para além das opções (que tento entender muitas vezes). Mas, a sua necessidade, ou vontade, de justificar as suas opções, o porquê de jogar ou nāo (ie. Ronaldo precisava de jogar porque apenas tinha feito 1 Jogo de Preparaçāo, mas Rúben Neves nāo?), a constante narrativa de ser importante ter “todos preparados” (mas antes do jogo, esta fase era “para ganhar”? Depois do jogo, era importante “ver todos”; e agora, já estāo “todos preparados?”; já agora, os treinos servem para quê? E as substituições aos 89 minutos de Jogo?), os minutos de jogo (ie.  Palhinha “necessitava” de jogar 45 minutos frente à Georgia, mesmo colocando em risco a sua presença nos oitavos de final?), dando mais importância à vértice física do que a outras, além das contradições na convocatória, parecem-me um conjunto de equívocos.

Veremos o que os próximos jogos trazem, cada vez com menos dúvidas sobre os jogadores a jogar (até pela prestaçāo de ontem), mas, ainda assim, com muitas dúvidas sobre a estratégia, sistema, conteúdo e substância.

Temos, certamente, uma das melhores equipas presentes neste Europeu!
Disso, nāo há dúvidas.

Mas daí a termos 2 equipas capazes de vencer o Europeu, nāo é verdade.

Por outro lado, uma coisa é certa: quem queria utilizar o Europeu para valorizar o seu valor de mercado nāo parece que vá ter vida fácil.

Em frente, Portugal!

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